AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

Satélites, caças e forças especiais com visão noturna: FAB destaca tecnologias no exercício Tápio

Foto: Johnson Barros / Força Aérea Brasileira
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Se um dia precisarem entrar em uma zona real de conflito, as forças especiais brasileiras não estarão sozinhas. É o que se pode perceber dos bastidores do exercício conjunto Tápio, realizado pela Força Aérea Brasileira a partir da Base Aérea de Campo Grande até o próximo dia 3 de setembro.

Seja para uma missão de resgate em território hostil ou uma infiltração em terreno inimigo para “iluminar” alvos, as forças especiais saem para a ação após receberem dados atualizados do Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), que detém imagens atualizadas obtidas por satélites. Não só: os militares em solo podem receber atualizações constantes de companheiros que estão muitos metros acima.

Foto> Anderson Soares / Força Aérea Brasileira

É o caso dos caças de ataque e reconhecimento A-1AM AMX. Construídos pela Embraer no início dos anos 90, e modernizados na última década, os jatos levam sensores como o Litening e o Reccelite, capazes de ampliar a chamada “consciência situacional”. A mais de 10 mil metros de altura, fora do alcance da maioria dos sistemas de defesa antiaérea, o aviador a bordo do AMX pode repassar informações detalhadas como a presença na área de um blindado inimigo, por exemplo. É a chamada missão de Controle Aéreo Avançado. Armado, o caça também é capaz de realizar ataques e, na eventualidade da presença de forças inimigas, tem sistemas de autodefesa e pode até entrar em combate aéreo. Acima de todos, os aviões E-99 e R-99 fazem uma varredura da área, em busca de alvos aéreos (E-99) e terrestres (R-99).

Foto: Anderson Soares / Força Aérea Brasileira

Caso a missão das forças especiais ocorra em áreas menos “quentes”, poderá entrar em cena o SC-105 Amazonas, aeronave especializada em missões de busca e salvamento. A nova versão, equipada com uma torreta eletro-ótica, permite não apenas “ver” à noite, mas também apontar para tripulações de helicópteros ou militares em solo que utilizem óculos de visão noturna (NVG). No exercício Tápio a situação foi testada: um SC-105 emitiu um feixe laser direto para o ponto onde estava um militar a ser resgastado, como se apontassse para as tripulações dos helicópteros para onde olhar.

Cabe aos helicópteros H-60 Blackhawk e H-36 Caracal levar as forças especiais até os locais de interesse. São voos a baixa altura, sempre com a cobertura de aeronaves de ataque A-29 Super Tucano. Fabricados pela Embraer, são aeronaves com poder de fogo para neutralizar ameaças terrestres, na chamada missão de Apoio Aéreo Aproximado. A escolta dos Super Tucanos também pode proteger a força amiga de helicópteros hostis, com o avião atuando como um “helicopter hunter”, capacidade também válida contra aviões de pequeno porte. Cargueiros C-130 Hércules e C-105 Amazonas também podem ser usados para lançamento de paraquedistas.

Foto: Johnson Barros / Força Aérea Brasileira

No exercício Tápio, as forças de solo envolvem o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, da Força Aérea Brasileira, conhecido como PARA-SAR; o Comando de Operações Especiais (COpEsp), do Exército Brasileiro; o Grupamento de Mergulhadores de Combate (GRUMEC), da Marinha; e o Batalhão de Operações Especiais dos Fuzileiros Navais, também da Marinha. Com a participação das três forças armadas, em sua quarta edição o exercício Tápio passou a ser designado como conjunto.

“Com o Excon (Exercício Conjunto) Tápio, mostramos a capacidade de operar de maneira integrada, coordenada e harmônica e que essa característica é necessária para que, em uma situação de conflito, as Forças tenham o domínio dos seus ambientes de interesse e impeça que o inimigo faça o mesmo”, explicou o diretor do exercício, Brigadeiro do Ar Clauco Rossetto.

Foto: Anderson Soares / Força Aérea Brasileira

Há também a presença de militares dos EUA. O país enviou dois helicópteros HH-60G Pavehawk, uma versão do H-60 Blackhawk, porém equipado com mais sensores e sonda de reabastecimento em voo. Há também militares de grupos conhecidos como PJ e JTAC, siglas para Pararescue Jumper e Joint Tactical Air Controller.

A presença dos estrangeiros ajuda a trazer experiências reais. No cenário do exercício, as forças atuam em uma chamada “guerra assimétrica”, isto é, sem ser contra um país específico, e sim no enfrentamento a grupos de guerrilha ou terrorismo, por exemplo. É uma situação enfrentada pelos Estados Unidos e seus aliados nos conflitos mais recentes e que pode se tornar um desafio para as Forças Armadas do Brasil em caso da participação em uma futura missão de paz da ONU, por exemplo.

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O repórter viajou à convite da Força Aérea Brasileira

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