AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA DOS ARQUIVOS DE ASAS

Civil estava à frente da Aeronáutica durante a Segunda Guerra Mundial

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Hoje, 20 de janeiro, o Comando da Aeronáutica completa exatos 80 anos de criação. Nesta data, em 1941, o Getúlio Vargas publicava o Decreto-Lei Nº 2.961, que criava o Ministério da Aeronáutica. A nova instituição deveria contar, a partir dali, com meios, recursos, pessoal e responsabilidades antes atribuídos aos Ministérios da Guerra, da Marinha e da Viação e Obras Públicas.

O Decreto-Lei definiu que todo o pessoal militar da arma de Aeronáutica do Exército e do Corpo da Aviação Naval, inclusive as respectivas reservas, passaria a fazer parte do Ministério da Aeronáutica. Naquele momento, todos passariam a fazer parte da chamada Forças Aéreas Nacionais, precursoras da atual Força Aérea Brasileira.

Mas quem seria o primeiro Ministro da Aeronáutica?

Salgado Filho, ao centro, de terno branco, durante solenidade militar

Entre escolher um General ou um Almirante, Getúlio Vargas preferiu um político experiente e respeitado. Trata-se do advogado Joaquim Pedro Salgado Filho, que à época ocupava a função de Ministro do Superior Tribunal Militar. A carreira do porto-alegrense incluía, até ali, a liderança do Ministério do Trabalho, um ano como Deputado Federal e a função de delegado e chefe de polícia no Rio de Janeiro, à época capital do Brasil.

O advogado Salgado Filho é, até hoje, o único homem à frente da Força Aérea Brasileira a ter comandado a instituição em tempo de guerra, entre 1942 e 1945. O Ministro Salgado Filho conduziu as operações de defesa do Atlântico e também o envio da 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação e do 1º Grupo de Aviação de Caça para combater na Itália.

Sem formação militar, o Ministro se destacou em negociações políticas, como os tratados com países aliados, compra e recebimento de aeronaves, e a articulação para instalação de bases norte-americanas no litoral brasileiro. Também teve destaque na criação de aeródromos pelo país.

Salgado Filho assume o Ministério da Aeronáutica, em 1941

Sucessores não eram do último posto da FAB

Salgado Filho deixou o Ministério da Aeronáutica em 29 de outubro de 1945, com a deposição de Vargas, após o fim da Guerra. Foi substituído por Armando Figueira Trompowsky de Almeida, com carreira militar inicialmente naval, ainda que filho de Marechal do Exército. Em curiosa transição, Trompowsky alcançou o posto de Contra-Almirante em 16 de fevereiro de 1940, mas seu posto seguinte seria de Major-Brigadeiro, em 1º de abril de 1942. Sua promoção a Tenente-Brigadeiro ocorreria em 20 de setembro de 1946, após quase um ano à frente do Ministério da Aeronáutica.

Seu sucessor seria Nero Moura, famoso comandante do 1º Grupo de Aviação de Caça. Apesar de popular e bem visto na Força Aérea, seu nome ainda assim seria pivô da polêmica de ter sido indicado para a função quando já estava na reserva, e ainda no posto de Coronel, preterindo os oficiais-generais à época na ativa. Nero Moura permaneceu como Comandante da Aeronáutica até 18 de agosto de 1954, seis dias antes do suicídio de Getúlio Vargas, em meio a uma crise política de graves proporções.

Já Salgado Filho, sem formação como aviador, acabou curiosamente tendo um fim de vida semelhante a muitos heróis da instituição da qual esteve à frente. Como passageiro de um Lockheed L-18 Lodestar, faleceu em 30 de julho de 1950, quando a aeronave se chocou contra o morro Cerro dos Cortlini, no Rio Grande do Sul. Tinha 62 anos de idade.

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