Na semana de reunião de cúpula do Mercosul, realizada no Paraguai, o Brasil deu mostras do seu poderio aéreo na América do Sul. O País já enviou seis voos humanitários para a Venezuela, levando insumos, profissionais de salvamento e um hospital de campanha, cinco com o uso dos jatos KC-390 Millenium e um com um Airbus KC-30. Ao mesmo tempo, também com apoio de dois KC-390, seis caças F-39E Gripen foram enviados ao Chile, sendo as aeronaves mais avançadas a participarem do exercício multinacional Salitre.
No caso da missão humanitária para a Venezuela, somente o envio do hospital de campanha da Marinha do Brasil representou o envio de 12 toneladas de equipamentos, além da equipe de profissionais de saúde. Um contingente de 100 militares, sendo 60 fuzileiros e 60 do corpo de saúde, vai atuar diretamente no atendimento médico especializado e no suporte à população local atingida pela emergência. Em outros três voos já foram enviados 71 bombeiros militares de três estados, 6 cães farejadores, três técnicos da defesa civil, 6 técnicos da Anatel, equipamentos de busca e resgate, mais de 5,5 insumos de saúde e cerca de 100 purificadores de água.

Essa pronta resposta ao país vizinho foi articulada por vários órgãos do Estado brasileiro, sendo que a execução fica a cargo do Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) junto com o Centro de Transporte Logístico da Aeronáutica (CTLA). Vale ressaltar que, em 19 de junho, o Brasil já havia enviado um KC-390 com ajuda humanitária para a Bolívia, com 16 toneladas de arroz e 5 toneladas de leite em pó integral, por conta da convulsão social que ocorre naquele país.
“É um sentimento de orgulho muito grande e um forte senso de dever saber que estávamos engajados em uma missão na Bolívia e estamos sendo reposicionados para auxiliar, agora, na mobilização de equipes para a Venezuela. Esse é o foco do nosso trabalho: manter a prontidão e cumprir aquilo que nos foi atribuído, seja no Brasil ou em qualquer lugar onde nossa atuação seja necessária”, ressaltou o Major Anderson Dias Santiago. O militar é comandante do Esquadrão Zeus, sediado em Anápolis (GO), uma das duas unidades da FAB equipadas com o KC-390.
Demonstração de poder
Iniciado oficialmente em 29 de agosto e com previsão de desmobilização só em 11 de julho, o exercício Salitre, realizado na Base Aérea de Cerro Moreno, em Antofagasta, no norte do Chile, já teve aquela que deve ser a imagem símbolo de uma era: a chegada de dois KC-390 da FAB acompanhados por seis F-39E da Força Aérea Brasileira. Entre os países soberanos da América Latina, não há atualmente nenhum outro com capacidades operacionais semelhantes às apresentadas ali.

A delegação é composta por cerca de 60 militares da Força Aérea Brasileira e quatro técnicos da Saab, empresa fabricante dos caças. A participação representa a primeira atuação internacional do F-39 Gripen em um exercício multinacional, proporcionando às tripulações brasileiras a oportunidade de operar em um ambiente de elevada complexidade, ao lado de outras forças aéreas . O treinamento contribui para o aperfeiçoamento de técnicas, táticas e procedimentos, fortalecendo a capacidade de atuação conjunta em cenários simulados de emprego do poder aeroespacial.
“O exercício tem grande importância para treinamento dos pilotos e pessoal de apoio em deslocamento, atualização doutrinária e incremento da interoperabilidade entre os países”, destaca o Comandante do Primeiro Grupo de Defesa Aérea, Tenente-Coronel Vítor Cabral Bombonato. “O treinamento do GDA consiste em participar de missões aéreas compostas com grande número de aeronaves em um contexto de guerra regular. Os F-39 realizarão missões de defesa aérea, protegendo as demais aeronaves aliadas em combates aéreos contra a força oponente simulada”, pontua o militar. O traslado internacional ocorreu com voo direto de Campo Grande, com 2h20 de duração.

No Chile, os F-39E poderão se exercitar em combates simulados contra os caças F-16C/D, F-16AM/BM e F-5E Tiger III do Chile, que contarão com apoio de um avião-radar E-3D Sentry. Também estarão por lá o IA-63 Pampa III da Argentina e os A-29 Super Tucano do Paraguai. Em teoria, nenhuma dessas aeronaves têm capacidades para se contrapor aos jatos brasileiros, que tiveram suas características artificialmente reduzidas em exercícios recentes para permitir algum grau de dificuldade.
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