AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

FAB já voou 5 mil horas em missões contra a Covid-19 e tenta comprar novos jatos

C-130 da FAB em missão Foto: Bianca Viol / Força Aérea Brasileira
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A Força Aérea Brasileira completou, nesta quarta-feira (24), 5.000 horas de voo realizadas no envolvimento das ações de combate à pandemia de Covid-19 no Brasil. Aeronaves KC-390 Millennium, C-130 Hércules, C-105 Amazonas, VC-2, C-99, VC-99, C-97 Brasilia, C-98 Caravan, C-95 Bandeirante e H-60L Black Hawk realizaram missões como transporte logístico, evacuação aeromédica, e transporte de passageiros.

As principais missões envolveram o transporte de vacinas e a remoção de pacientes de localidades onde o sistema de saúde apresentou colapso, como em Manaus (AM), para cidades capazes de atender à demanda. Um total de 766 pessoas infectadas foram transportadas pela FAB. Também foi realizada a repatriação de brasileiros sem meios para deixar outros países, como quando dois VC-2 foram até a China buscar 34 pessoas.

Também tem feito parte da rotina da Força Aérea Brasileira o transporte de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), medicamentos, respiradores hospitalares e profissionais de saúde. Com o agravamento da crise, passaram a ser realizadas missões de transporte de cilindros de oxigênio, usinas e tanques de oxigênio líquido.

Nova Aeronave

Apesar do esforço aéreo, a Força Aérea Brasileira sentiu durante este ano a consequência de não contar com uma aeronave de transporte de grande porte e longo alcance, uma capacidade indisponível desde a devolução do único Boeing 767 da frota, que havia sido alugado para ocupar a lacuna deixada pelos quatro Boeing 707 aposentados em 2013 após um deles se envolver em um acidente.

Atualmente, os maiores aviões da FAB são os KC-390, que podem realizar missões impossíveis para um 767, mas que por outro lado não levam a mesma quantidade de carga nem voam tão longe. Enquanto o peso máximo de decolagem de A330, por exemplo, supera as 230 toneladas, o KC-390, atualmente a maior aeronave em serviço na FAB, tem peso máximo de 86 toneladas.

Durante live realizada no dia 28 de janeiro, o presidente Jair Bolsonaro comentou sobre a compra de dois aviões “A230″, em uma possível referência aos A330. Segundo ele, os recursos viriam da recuperação de verbas desviadas em casos de corrupção e que devem voltar ao orçamento público por meio de ações da Advocacia-Geral da União.

A versão MRTT do A330 é utilizada pela Força Aérea da França Foto: Armée de l’air e de l’espace

A FAB tem pressa para adquirir as aeronaves. Segundo reportagem do jornal O Globo, o plano era abrir um processo de licitação logo após a liberação do crédito. Daí, as aeronaves deveriam ser entregues em um prazo de 60 dias, o que sugere a possível aquisição de jatos usados.

De acordo com a reportagem, o Ministério da Defesa solicitou um crédito extraordinário de R$ 500 milhões ao Ministério da Economia, no início de fevereiro. O objetivo seria adquirir aeronaves capazes de carregar 240 a 600 cilindros de oxigênio ou, em outra configuração interna, receber seis pacientes em UTI’s móveis ou até 130 macas convencionais.

Porém, a equipe de Paulo Guedes vetou o negócio. A Junta de Execução Orçamentária do Ministério da Economia considerou que o pedido de crédito suplementar não atendia aos preceitos de urgência, imprevisibilidade e relevância necessários para a edição de uma Medida Provisória para liberar os recursos. O Ministério da Defesa, por outro lado, alegou que esse era exatamente o caso.

No Twitter, o Comandante-Geral de Apoio da FAB, Tenente-Brigadeiro Carlos Baptista Júnior, já havia comemorado a aquisição das novas aeronaves. Após a reportagem do O GLOBO, o militar não negou as informações, mas disse haver outras possibilidades. “Há várias maneiras de a União prover recursos para as despesas orçamentárias. O que não foi aprovado foi um crédito extraordinário. Estamos trabalhando em outras possibilidades orçamentárias para atender esta clara lacuna operacional“, twittou.

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