AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

FAB vai comprar 2 cargueiros com recursos recuperados da corrupção, anuncia Bolsonaro

A versão MRTT do A330 é utilizada pela Força Aérea da França Foto: Armée de l'air e de l'espace
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Sem apresentar detalhes, o presidente Jair Bolsonaro anunciou hoje a compra de duas aeronaves de carga para a Força Aérea Brasileira. O presidente se referiu aos aviões como “A230“, em uma possível referência aos A330. Os recursos viriam da recuperação de verbas desviadas em casos de corrupção e que devem voltar ao orçamento público por meio de ações da Advocacia-Geral da União.

“De uma dessas ‘traquinagens’ do passado estão vindo 500 milhões para nós. E estamos buscando uma maneira de atender a Força Aérea. São dois aviões de carga A230 (sic) – são dois aviões de carga que nós não temos”, explicou o presidente durante a sua live semanal. Segundo Bolsonaro, há dificuldades para transportar oxigênio até Manaus porque a FAB contaria apenas com aeronaves de “pequeno porte”.

Veja abaixo a declaração do presidente:

Hoje, o país não conta com nenhuma aeronave militar da categoria de peso e alcance do A330. Enquanto o peso máximo de decolagem de A330 supera as 230 toneladas, o KC-390, atualmente a maior aeronave em serviço na FAB, tem peso máximo de 86 toneladas.

O presidente não deu detalhes se a compra será de aeronaves novas, usadas ou modelos atualmente em uso civil que possam ser adaptadas para o serviço militar. Hoje, há aeronaves A330 em uso em companhias aéreas de todo o mundo, incluindo a Azul e a Latam. Não é incomum aeronaves de empresas serem adquiridas por forças aéreas. Os antigos 707 da FAB, por exemplo, voaram antes com as cores da Varig.

No cenário ideal, o presidente pode ter se referido ao A330MRTT, versão militar produzida na própria Airbus já com características específicas para forças aéreas. A sigla MRTT é de Multi Role Tanker Transport, que resume o caráter multifuncional da aeronave, já em uso na França, Reino Unido, Austrália e Coreia do Sul, dentre outros países.

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Foto: Armée de l’Air

Os Airbus A330MRTT podem ser utilizados para missões de reabastecimento em voo, transporte logístico, transporte de passageiros e evacuação aeromédica. No caso do combate à pandemia de Covid-19, a Força Aérea da França utilizou aeronaves A330MRTT para fazer a transferência de pacientes de regiões mais comprometidas do país para outras, trabalho semelhante ao que a Força Aérea Brasileira tem feito atualmente a partir de Manaus, mas com o uso de aviões menores.

Hoje, a Força Aérea Brasileira tem um esquadrão sem aeronaves: é o Corsário, sediado no Galeão. A unidade voava quatro KC-137, versão militar do Boeing 707. Em 2013, uma das aeronaves foi perdida no Haiti e a frota foi aposentada.

Em 2013, há quase oito anos, a empresa israelense IAI venceu a concorrência então chamada de KC-X2 e iria fornecer dois aviões Boeing 767-300ER de origem civil convertidos para missões militares. O contrato, porém, nunca foi assinado. A FAB chegou a alugar um único Boeing 767 durante três anos, entre 2016 e 2018.

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