AVIAÇÃO COMERCIAL & PRIVADA DOS ARQUIVOS DE ASAS

Há 25 anos, uma história de terror e de coragem

Há exatos 25 anos, em 23 de novembro de 1996, um Boeing 767-200ER da Ethiopian Airlines caiu no mar próximo às Ilhas Comores. Foi a primeira vez em que uma tripulação tentou amerissar um jato widebody, conseguindo salvar 50 dos 175 ocupantes. Muitas vítimas sobreviveram à colisão com a superfície, mas pereceram por já estarem com os coletes salva-vidas inflados e não conseguirem sair da aeronave – a orientação é inflar somente após a saída. A tragédia se notabilizou por ter sido filmada.

Os momentos de terror, porém, começaram bem antes dos últimos segundos fora da água. A aeronave do voo Ethiopian Airlines Flight 961 voava de Addis Adaba para Nairóbi quando a tripulação foi rendida por três sequestradores. Eles afirmavam ter onze homens a bordo, o que não era verdade. Também diziam ter uma bomba – o que não passava de uma garrafa de licor. Estavam armados comum machado pequeno e um extintor de incêndio.

Os sequestradores queriam ir para a Austrália. O Comandante Leul Abate, à época com 42 anos, 11.500 horas de voo e a triste experiência de já ter passado por dois sequestros aéreos, explicou que não havia combustível suficiente. Os raptores não acreditaram, e até mostraram a revista de bordo que informava a autonomia total de um Boeing 767.

O Comandante, então, adotou uma tática que salvaria 50 vidas: sabendo que não teria combustível, adotou uma rota em direção às Ilhas Comores, entre o continente africano e Madagascar. Só quando um motor parou de funcionar que os sequestradores pareceram acreditar: ao saírem da cabine, o Comandante disse no sistema de som que tentaria um pouso forçado no aeroporto da ilha por conta da pane seca.

Um dos raptores voltou para a cabine e houve luta corporal. Isso impediu que os aviadores seguissem para o aeroporto, e para isso decidiram tentar a sorte na água. O copiloto Yonas Mekuria se ocupou de lutar com os criminosos enquanto o Comandante Leul Abate tentou controlar a aeronave até o último segundo. Ambos sobreviveram. Os três sequestradores, não. Lamentavelmente, outras 122 também perderam a vida.