AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

Novo F-15 poderá levar até 22 mísseis, mas destaque é a eletrônica

Novo F-15EX é um caça multifuncional. Concepção artística da Boeing
image_pdfimage_print

Ainda em testes, o Joint Helmet Mounted Cueing System II (JHMCS II) já foi utilizado no primeiro voo do F-15EX, realizado no dia 2 de fevereiro a partir da fábrica da Boeing em St. Louis. O equipamento é um capacete que projeta imagens para o piloto, tanto da própria aeronave quanto dos seus alvos, podendo fazer a mira a partir do olhar do tripulante, sendo integrado a mísseis de alta manobrabilidade, como o AiM-9X. Mais leve que seus antecessores, o JHMCS II também pode ser utilizado em modo noturno.

O equipamento já foi testado nos novos F-16V Block 70, mas enfrentou problemas. A USAF ainda não firmou um contrato de aquisição com os fabricantes, a Collins Aerospace e a Elbit Systems, mas o recebimento dos F-15EX e a possível compra de novos F-16 abre essa possibilidade. Uma das funcionalidades do sistema elogiada é incluir modos que podem ser utilizados para treinamento, reduzindo os custos para as forças aéreas, além de ter uma logística facilitada. A primeira geração, JHMCS, está em serviço em mais de seis mil aeronaves militares.

Primeiro voo de um F-15EX
Foto: @vikingaeroimages

Com o número de série 20-001, o primeiro F-15EX decolou da fábrica da Boeing em St. Louis, nos Estados Unidos, às 13h53 do dia 2 de fevereiro. Essa nova versão do F-15 já tem 8 unidades vendidas para a Força Aérea dos Estados Unidos, que em julho do ano passado assinou o contrato de 1,2 bilhão de dólares. Até 200 unidades ainda podem ser compradas. O orçamento de 2021 prevê a compra de mais 12.

Eletrônicos

O F-15EX é fisicamente semelhante aos primeiros F-15 aos primeiros modelos, que entraram em serviço em janeiro de 1976. Porém, apenas a aerodinâmica tem alguma semelhança: a eletrônica é completamente diferente da tecnologia disponível nas primeiras versões.

A principal inovação do F-15EX frente às versões anteriores é o novo Eagle Passive Active Warning Survivability System (EPAWSS). Desenvolvido pela BAE Systems, trata-se de um sistema de localização, identificação e combate a ameaças eletromagnéticas e infravermelhas inimigas. São usadas técnicas eletro-óticas e de guerra eletrônica para anular as ameaças. Os modelos antigos em uso devem receber o EPAWSS.

Concepção artística da Boeing mostra par de caças F-15EX armados com mísseis ar-ar Imagem: Boeing

Assim como os reabastecedores KC-46 Pégasos, os F-15EX vão receber o novo Advanced Battle Management System (ABMS), que contará com a tecnologia da chamada Internet das Coisas. Na prática, os F-15EX e KC-46A terão capacidades de integração em rede nunca vistas até hoje nas aeronaves norte-americanas. No futuro, haverá uma conectividade total entre os meios da USAF, US Navy, US Army e US Marine Corps no conceito de Joint All-Domain Command.

Entre as novidades estão a integração de novas armas, computadores de missão mais rápidos e um Wide Area Display (WAD) semelhante ao adotado nos F-39E da Força Aérea Brasileira. O radar é o AN/APG-82(V)1, do tipo Advanced Electronically Scanned Array (AESA), complementado por um InfraRed Search and Track system (IRST) Legion. Os motores são os General Electric F110-GE-129.

O primeiro caça ainda na linha de montagem
Foto: Boeing

Força Bruta

O novo F-15EX é derivado do F-15E Strike Eagle, versão especializada em ataque ao solo que voou pela primeira vez em dezembro de 1986 e entrou em serviçoo em 1989, a tempo de participar da Guerra do Golfo. O uso multifuncional fez com que se tornasse prioritário para exportações, sempre com melhorias. A última foi chamada de F-15QA, com especificações da Força Aérea do Catar, muitas agora encontradas nos F-15EX, que é capaz de substituir não apenas os F-15E de ataque, mas também os F-15C de defesa aérea.

Houve um aumento da capacidade bélica. O novo caça teve aumento do número de estações de armamentos e, em uma configuração de defesa aérea, poderá ir para o combate com até 22 mísseis AiM-9 Sidewinder ou AiM-120 AMRAAM. Isso também permitirá um número maior e mais diversificado de armas ar-solo.

Visite a loja da Editora Rota Cultural e veja nosso acervo de
livros, edições da revista ASAS e produtos ligados à aviação!

Sobre o autor

Redação

Comentários

Clique aqui para comentar

Lançamento! ASAS 116

O Voo do Impossível

Parceiros