AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

Treinando com o inimigo? Grécia e Turquia unem forças no Mar Negro

O E-7T é a versão para a Turquia do Boeing 737 para missões Airborne Early Warning and Control (AEW & C)

Tema polêmico na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a histórica hostilidade entre Grécia e Turquia às vezes dá uma pausa em nome de interesses da aliança militar. Foi o que aconteceu no último dia 4 de novembro

A entrada do navio norte-americano USS Mount Whitney no Mar Negro, uma região atualmente sob forte influencia russa, recebeu o apoio tanto de gregos quanto de turcos. Um EMB-145 AEW&C da Grécia, fabricado pela Embraer, e um E-7T da Turquia fizeram o monitoramento conjunto da área, enquanto as unidades navais realizavam exercícios. Baseados na Romênia e na Bulgária, caças F-15E da United States Air Force integraram o treinamento, chamado de Castle Forge.

“As missões aeronavais multinacionais demonstram a capacidade da OTAN de formar uma força de resposta combinada”, disse o General Jeff Harrigian, Comandante do Comando Aéreo Aliado. “As plataformas AEW aliadas garantem que as forças da OTAN mantenham uma consciência situacional crítica em todos os domínios, permitindo que as tripulações e comandantes reajam com eficácia a quaisquer ameaças potenciais”, completou.

Embraer 145H AEW&C da Força Aérea da Grécia

A Grécia possui quatro EMB-145 AEW&C, designadas localmente como Erieye EMB-145H AEW&C. As entregas ocorreram em 2003 e 2004, e a frota conta com o radar da empresa Ericsson e um sistema de guerra eletrônica da francesa Thomson CSF. O acordo, à época, foi no valor de US$ 600 milhões. Pelo menos um desses aviões foi usado em 2011 durante as operações militares na Líbia.

Já a Turquia possui quatro E-3T, designação da versão AEW&C do Boeing 737, chamado de Peace Eagle. O atraso de seis anos das entregas fez o governo turco solicitar uma compensação financeira, a ser negociada como fornecimento de peças e de serviços de manutenção.

Foto: Millî Savunma Bakanlığı