AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

Sem porta-aviões, Marinha treina para operar caças embarcados

Um AF-1 da Marinha do Brasil em 2006, quando operou a bordo do porta-aviões A-12 São Paulo Foto: Rob Schleiffert

Quase cinco anos após a Marinha do Brasil decidir desativar seu único porta-aviões, e sem perspectivas para aquisição de um substituto, o 1° Esquadrão de Aviões de Interceptação e Ataque (EsqdVF-1) continua a treinar como operar a bordo de um navio desse tipo. O mais novo exercício do tipo ocorreu ao longo do mês de outubro.

Chamado de “Preparação em Terra para Pouso em Navio” (PTPN), o treinamento aconteceu na Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia, onde parte da pista foi pintada com as marcações do antigo porta-aviões A-11 Minas Gerais. Segundo a Marinha, o objetivo do PTPN é “contribuir para a manutenção da cultura de aviação de asa fixa embarcada na Marinha do Brasil”, mantendo os aviadores prontos para eventuais treinamentos com navios-aeródromos de nações amigas.

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Agora, a Marinha treina o pouso em porta-aviões, mas em solo
Foto: Marinha do Brasil

Atualmente, apenas França e Estados Unidos utilizam porta-aviões com a mesma doutrina adotada pelo Brasil, do tipo Catapult-assisted take-off barrier-arrested recovery (CATOBAR). Mesmo nações com orçamentos militares mais generosos, como Reino Unido, Itália e Espanha, adotam o modelo de aeronaves de decolagem curta e pouso vertical, do tipo Short take-off vertical-landing (STOVL). Rússia, Índia e China adotam o modelo Short take-off barrier-arrested recovery (STOBAR).

O PTPN envolveu desde o treinamento do tráfego em torno de um navio aeródromo até atividades como reabastecimento a bordo. Os pilotos treinaram, no asfalto, como seria o pouso a bordo, seguindo as orientações de um Oficial de Sinalização de Pouso (OSP). Dois oficiais, inclusive, foram formados como OSP.

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Também foi utilizado o Sistema Ótico de Pouso (SOP), também conhecido como “Espelho de Pouso”, equipamento de bordo que fornece ao piloto, na parte final da aproximação, informações visuais referentes a posicionamento na rampa. Luzes adicionais instaladas no SOP permitem comunicação visual do OSP na plataforma com o piloto. O sistema é totalmente autônomo e estabilizado, sendo a referência primária de rampa na aproximação final.

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