AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

China precisaria de 100 bombardeiros para atacar um porta-aviões

O bombardeiro chinês é uma versão do Tupolev 16, porém com várias atualizações

A presença do porta-aviões USS Theodore Roosevelt no Mar do Sul da China e os sobrevoos de aeronaves militares daquele país pareceram ser cenas de um futuro conflito armado. Porém, os oito bombardeiros H-6K chineses não seriam suficientes para destruir um navio-aeródromo dos Estados Unidos: em realidade, seriam necessários pelo menos cem aviões atacantes.

É o que sustenta o jornalista David Axe, especialista em defesa da revista Forbes. Segundo ele, ao longo da Guerra Fria os soviéticos estimaram pelo menos cem bombardeiros Tu-95, Tu-16 e Tu-22 para se contrapor a um porta-aviões que levasse os aviões-radar E-2 Hawkeye e os interceptadores F-14 Tomcat. O cenário não seria diferente para os chineses, defende Axe.

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Caças F/A-18 Super Hornet decolam do porta-aviões USS George Washington (CVN 73). Foto: Rachel N. Clayton / US Navy

Por um lado, a defesa aérea proporcionada pelos porta-aviões, hoje, é mais fraca. Isso porque os F-18E Super Hornet com os mísseis AIM-120 AMRAAAM não possuem um raio de atuação comparável ao que antes era oferecido pelos F-14 com os mísseis AIM-54 Phoenix. Na prática, isso significa que um eventual ataque aéreo contra um porta-aviões só poderá ser repelido a uma distância muito menor que o previsto antigamente.

Por outro lado, o radar melhorado das novas versões do E-2 Hawkeye e, sobretudo, a melhor comunicação entre os caças interceptadores, com uso do datalink, torna a defesa uma tarefa mais integrada e eficiente. Ao mesmo tempo, com poucas aeronaves de reabastecimento aéreo disponíveis, os chineses não mandariam seus bombardeiros H-6K fora do alcance de caças de escolta.

Com cerca de 200 H-6 na frota da sua força aérea e da aviação naval, os chineses não teriam números suficientes para enfrentar os cinco porta-aviões dos Estados Unidos, argumenta o jornalista da Forbes. Mas a perda de um único navio desse tipo já teria um impacto político significativo para os norte-americanos.

“Em tempo de guerra, a força de bombardeiros da China pode acertar apenas alguns tiros contra um porta-aviões americano. Mas pode ser tudo o que precisa”, conclui o analista.

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Redação

Comentários

  • O analista diz que seriam necessários 100 bombardeiros chineses para atacar um porta-aviões americano com êxito, apesar de admitir que a defesa aérea de tais navios é menos eficiente hoje do que na época do estudo soviético no qual baseia sua conclusão.

    Ele esquece que cerca de 40 anos se passaram desde o citado estudo, que a tecnologia dos misseis antinavio chineses, de fabricação russa ou própria, é muito mais avançada do que naquela época e que cada bombardeiro chinês pode levar 8 misseis antinavio.

    A China certamente não atacará os porta-aviões em alto-mar, e sim relativamente próximo de suas bases terrestres, se tais porta-aviões se atreverem a chegar tão próximo da costa chinesa ou de suas ilhas, única maneira de tentarem efetuar ataques eficientes. Isso permitirá a escolta de seus bombardeiros pelos caças chineses, além de colocar os aviões americanos no alcance dos misseis antiaéreos chineses, lembrando ainda que os bombardeiros podem atirar os mísseis antinavio de uma distância de 400 quilômetros do alvo.

    Além do mais, os chineses também utilizariam submarinos, tanto convencionais quanto nucleares, para atacar os porta-aviões americanos. Há alguns anos atrás, um submarino chinês emergiu próximo de um porta-aviões americano, sem que o grupo-tarefa do porta-aviões o tivesse detectado.

    Também é importante ressaltar que não há necessidade de afundar um porta-aviões, bastando atingí-lo com força suficiente para impossibilitar sua operação.

    E, há alguns anos, foi revelado que um dos mais famosos almirantes americanos afirmou na década de 1970 que, em uma guerra com a União Soviética, os porta-aviões americanos seriam destruídos em dois dias, se estivessem em alto-mar, ou em quatro, se estivessem nos portos.

    Porta-aviões, hoje em dia, são muito úteis para controle do mar, se estiverem em alto-mar, ou para ameaçarem ou atacarem países despreparados, como, infelizmente, o Brasil. Contra a China ou a Rússia, são apenas atraentes alvos.

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