AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

Reino Unido proíbe Argentina de comprar caças FA-50 da Coreia

Desenvolvido inicialmente como um treinador, o FA-50 é oferecido como uma aeronave de combate "light"
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Os planos da Argentina para adquirir caças sul-coreanos FA-50 Golden Eagle foram barrados pelo Reino Unido. A empresa Korea Aerospace Industries enviou uma carta no dia 28 de outubro para o embaixador da argentina no Coreia informando que não foi concedida a licença de exportação para os seis componentes dos caças FA-50 que são fabricados no Reino Unido.

O caso foi levado à público pelo Ministro da Defesa da Argentina, Augustin Rossi, que publicou o documento no twitter. Para o argentino, o caso é uma “nova mostra da soberba imperial”. O ministro encerrou seu tweet com a hashtag #MalvinasArgentinas.

Derivado do treinador T-50 Golden Eagle, o FA-50 é um caça leve já exportado para as Filipinas como uma opção para defesa aérea de baixo custo. As negociações entre a Coreia do Sul e a Argentina estavam em curso desde 2016, quando uma delegação argentina visitou um esquadrão sul-coreano. Porém, os termos do acordo teriam sido delineados durante uma conversa a porta fechadas entre os então presidentes Mauricio Macri e Moon Jaen-in.

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O fato é que a Argentina não tinha muita escolha. A recente compra de cinco jatos Super Etendart Modernisé já aposentados na Marinha da França só ocorreu após meses de dificuldades de financiamento para um conta de 15 milhões de dólares. Mesmo assim, até agora os caças não entraram em operação. Em crise econômica persistente, conseguir crédito internacional é um exercício cada vez mais difícil para os argentinos.

A Coreia estaria interessada em conceder o financiamento de US$ 200 milhões de dólares para dez aeronaves, um preço bastante inferior ao de outras propostas no mercado, inclusive de aeronaves usadas.

Opção de baixo custo

Mesmo que viesse a adquirir os jatos FA-50, a Argentina manteria uma perspectiva de baixa força paa a sua defesa aérea. Se no início dos anos 80 a Argentina enfrentou o Reino Unido com aquela que possivelmente era a mais poderosa força aérea da América do Sul, com dezenas de caças Mirage III, Mirage 5 e A-4, além de bombardeiros Canberra e aviões de ataque naval Super Étendart, a proposta de aquisição de 10 a 24 jatos sul-coreanos FA-50 Golden Eagle revela que nosso vizinho dificilmente voltará a ter uma aviação de combate de ponta. Mesmo que novo e com tecnologia recente, o FA-50 não é um caça de primeira linha, sendo uma aeronave leve de combate derivada de um treinador.

De fato, por ser supersônico e contar até com armas e equipamentos para combate além do alcance visual (BVR), a Argentina poderia ter com os FA-50 uma capacidade muito maior que a atualmente alcançada com os IA-63 Pampa e os últimos remanescentes de A-4AR Fightinghawk. Porém, mesmo com a aquisição do FA-50 a Argentina teria nas próximas décadas uma força aérea bem menos capaz que a chilena (F-16), brasileira (F-39 Gripen), venezuelana (Su-30) e peruana (Mirage 2000 e MiG-29).

Foto: KAI

A Coreia do Sul investe para tornar o FA-50 em um sucesso entre forças aéreas com orçamentos mais reduzidos. Hoje, só um país confia a sua defesa aeroespacial inteiramente ao FA-50: as Filipinas, que operam uma dúzia desde 2017. A Coreia do Sul e o Iraque adquiriram 60 e 24 unidades do FA-50, respectivamente, porém como uma força complementar aos seus F-16. A Coreia conta também com os F-15 e F-35.

O Golden Eagle, na realidade, faz sucesso é na missão para o qual foi originalmente desenvolvido: treinador. Coreia do Sul, Indonésia e Tailândia operam a versão T-50 na missão de formar os futuros aviadores de caça de suas forças aéreas. O Iraque faz o mesmo com os FA-50, designados localmente como T-50IQ, que é derivado do FA-50, mas manteve o designador T, de Treinador.

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A história do jato surgiu com a autorização da Lockheed Martin para que a Korea Aerospace Industires (KAI) fabricasse sob licença caças F-16. A partir daí houve a ideia de criar um treinador avançado. A própria empresa norte-americana ajudou no desenvolvimento, que não por acaso resultou em uma aeronave que lembra o F-16. O primeiro voo aconteceu em 20 de agosto de 2002 e já em 2005 o T-50 começou a substituir os antigos T-37 e T-38. Os principais avanços foram levar para um treinador tecnologias como fly-by-wire, HUD, navegação inercial e cabine com conceito HOTAS.

A versão FA-50 conta com uma versão leve do canhão rotativo M61 Vulcan de 20mm, designado A50, com apenas três canos ao invés de seis. As últimas versões incluem a possibilidade de operar mísseis AiM-9 Sidewinder e AiM-120 AMRAAM. Entre os armamentos ar-solo se destacam mísseis AGM-65 Maverick e bombas com kits de guiagem JDAM ou SPICE. As indústrias de Israel e da Europa já demonstraram interesse em integrar mísseis Python, Derby, Meteor e ASRAAM.

Já o radar padrão é o israelense Elta EL/M 2032, comparável aos Grifo utilizados pelos F-5EM da Força Aérea Brasileira. Há propostas para adotar radares mais modernos, como o Selex Vixen 500E ou um futuro radar AESA em desenvolvimento pela Samsung. Outro sistema já incorporado é o pod de designação AAQ-33 Sniper.

O motor General Eletric F404 pode ser substituído pelos F414 ou EJ200, mais potentes. O desempenho divulgado da aeronave prevê uma velocidade máxima de Mach 1.5. Para efeito de comparação, os futuros Gripen da FAB poderão voar a Mach 2 e, apenas com mísseis ar-ar, poderão chegar a Mach 1,2 sem o uso de pós-combustão, isto é, voando com economia, o chamado “supercruzeiro”.

Outros dois dados chamam a atenção para o desempenho do FA-50. O caça leve sul-coerano pode subir 39 mil pés em um minuto. Isso é um pouco superior aos F-5E (34 mil pés em um minuto), mas bem atrás do alcançado pelo F-16 ou Gripen (50 mil). O FA-50 também está limitado a manobras de +8g, enquanto os caças de primeira linha vão a +9g.

Treinadores KT-1, já em uso no Peru, podem ganhar o mercado antes ocupado pelo Embraer Tucano

De olho na América

Para os coreanos o negócio seria um verdadeiro investimento. O real interesse deles é ampliar a sua presença na América Latina, algo que já conseguiram por meio do K-Pop e dos filmes na Netflix. Agora, o foco é a indústria aeronáutica.

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Em 2012, o treinador turboélice KAI KT-1 Woongbi foi selecionado pela Força Aérea do Peru e vinte unidades foram compradas. Os projetos de compensação oferecidos pelos coreanos chegaram a envolver a construção de hospitais, escolas e usinas de tratamento de água. Lá, o KT-1 deve substituir a longo prazo os T-27 Tucano, também operacionais em várias forças aéreas do continente. Equador e Paraguai seriam os principais clientes em potencial.

Falando em presença coreana, na Netflix, o T-50B é uma versão do T-50 operada pelo esquadrão de demonstração aérea da Coreia do Sul, o Black Eagles. Logo no início do filme há uma cena (bem exagerada!) com a aeronave. Mas nem no filme coreano o FA-50 aparece como o principal destaque…

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