AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

Brasil reforça presença militar na fronteira com Venezuela e Guiana

Exército Brasileiro. Foto: Tomaz Silva - Agência Brasil

O Brasil aumentou a presença militar na fronteira norte do país em meio ao aumento das tensões entre a Venezuela e a Guiana. Os venezuelanos vão às urnas neste domingo (3) para votar em um referendo sobre os direitos da Venezuela sobre a região de Essequibo, que representa cerca de dois terços do atual território da antiga colônia inglesa.  

O Ministério da Defesa disse, em nota, que tem acompanhado a situação e que “ações de defesa têm sido intensificadas na região da fronteira ao Norte do país, promovendo maior presença militar”.  Contudo, não foi detalhado qual o reforço enviado.

A-29 da Força Aérea Brasileira

Em Roraima, a Força Aérea Brasileira (FAB) possui uma base aérea, localizada em Boa Vista (RR), além de atuar em pistas da região, inclusive em localidades de difícil acesso. Somente uma unidade aérea é sediada na região, o Esquadrão Escorpião, equipado com turboélices A-29 Super Tucano. Porém, a base pode receber dezenas de aeronaves de outras partes do País, incluindo caças F-5 e A-1. Já os F-39 Gripen ainda estão em início da implantação operacional.

Já o Exército conta em Boa Vista com a 1ª Brigada de Infantaria de Selva, o 10º Grupo de Artilharia de Campanha de Selva e com o 18º Regimento de Cavalaria Mecanizada, além de pelotões de fronteira. A mobilidade da força terrestre também precisa ser considerada, sobretudo as unidades aeromóveis.

Venezuela (laranja) reconhece apenas parte do território da Guiana (verde escuro), reclamando a soberania sobre o Essequibo (verde claro)

Disputa pelo Essequibo

A secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, embaixadora Gisela Maria Figueiredo Padovan, disse nesta quinta-feira (30) que o governo brasileiro acompanha com preocupação a disputa na região.  A diplomata acrescentou que o interesse do Brasil é não ter nenhuma questão militar e bélica na região.

Em 1966, as Nações Unidas intermediaram o Acordo de Genebra – logo após a independência da Guiana –, segundo o qual a região do Essequibo ainda está “por negociar”. Existem estimativas que a região dispõe de bilhões de barris de petróleo. 

Sukhoi Su-30Mk2 da Aviación Militar Bolivariana Foto: André Austin Du-Pont Rocha

O território de 160 mil km² com uma população de 120 mil pessoas é alvo de disputa pelo menos desde 1899, quando esse espaço foi entregue à Grã-Bretanha, que controlava a Guiana na época. A Venezuela, no entanto, não reconhece essa decisão e sempre considerou a região “em disputa”.

A Guiana entrou com uma liminar na CIJ para suspender o referendo deste domingo (3). Porém, a Venezuela não reconhece a jurisdição da Corte Internacional nesse caso e evoca o Acordo de Genebra de 1966 como único instrumento válido para resolver a controvérsia.  

Em setembro deste ano, segundo a Reuters, a Venezuela protestou contra uma rodada de licitações de petróleo realizada pela Guiana, dizendo que as áreas marítimas que devem ser exploradas por multinacionais como Exxon Mobil (Estados Unidos e TotalEnergies (França) são objeto da disputa entre os países.

Cenário treinado pelo Brasil

Cenário fictício treinado durante o exercício operacional Cruzex

A interferência em um conflito regional causado por uma nação com expectativas expansionistas é, precisamente, um dos cenários mais treinados pelas forças armadas brasileiras. No caso do exercício operacional Cruzex, realizado em parceria com nações amigos, e que inclusive já contou com a participação da Venezuela, treina-se a formação de uma coalizão para proteger o país fictício chamado de “Amarelo” das forças invasoras de “Vermelho”, a partir de uma coalizão liderada pelo país “Azul”.

(Com informações da Agência Brasil)

Mesmo com mais de 30 anos de uso, os F-16 da Venezuela ainda são aeronaves temíveis no campo de batalha

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