Entenda porque a FAB desativou 2 esquadrões de caça

A Força Aérea Brasileira não confirmou, mas circulam na internet informações de que um segundo esquadrão da aviação de caça teria desativado em um intervalo de cinco anos. Depois do Adelphi, em dezembro de 2016, teria sido agora a vez do Pacau, unidade histórica que estava sediada na Manaus, equipada com caças F-5 modernizados. Caso confirmada, a notícia também significa que a Amazônia brasileira não conta mais com nenhum esquadrão de jatos supersônicos, limitando sua defesa aérea aos A-29 Super Tucano baseados em Porto Velho (RO) e Boa Vista (RR).

Primeiro, vale salientar que isso não impede que a defesa aérea ainda possa ser feita na região. Os F-5 em operação nos esquadrões sediados no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro podem se deslocar rapidamente para qualquer parte do território nacional, uma operação já bem conhecida pelas unidades da FAB. Os próprios caças Gripen, a serem todos sediados em Anápolis (GO), serão capazes de voar para qualquer base aérea brasileira – esses locais têm a estrutura necessária para receber esquadrões temporariamente.

O que se perde imediatamente, porém, é o fato de que havia uma aeronave supersônica em alerta de defesa aérea naquela parte do País. Mas há dois pontos a serem ponderados. O primeiro é que o alcance do F-5 tornava essa cobertura em algo não muito além da região da capital do Amazonas. Segundo é que a absoluta maioria das situações de violação do espaço aéreo brasileiro na área diz respeito a aviões de pequeno porte, em geral interceptados pelos A-29 Super Tucano, que continuarão disponíveis em Boa Vista (RR) e Porto Velho (RO), próximos à fronteira.

Disponibilidade

Há mais dois fatores para justificar o eventual término das operações do Esquadrão Pacau. O primeiro são as condições da Base Aérea de Manaus, com uma pista que apresenta mais restrições que as de Santa Cruz (RJ), Canoas (RS) e Anápolis (GO), inclusive em termos de perigo aviário. Na realidade, era comum os F-5 do Esquadrão Pacau precisarem operar a partir do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, do outro lado da cidade de Manaus.

O segundo é que, passados quase 50 anos do recebimento, os caças F-5 da Força Aérea Brasileira, mesmo que modernizados, apresentam dificuldades de disponibilidade. Por questão de segurança nacional, a FAB não deve divulgar quantos dos pouco mais de 40 jatos estão efetivamente distribuídos para as então quatro unidades aéreas equipadas com o modelo, no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás e Amazonas. Com a chegada dos primeiros F-39 para o 1º Grupo de Defesa Aérea, em Goiás, e a retirada de serviço na Amazônia, isso significará a concentração dos F-5 em apenas dois locais, o que pode ajudar a aumentar a disponibilidade na linha de voo. Na prática, a FAB desativou um esquadrão, mas não perdeu nem um caça. Pelo contrário: pode até ter mais deles no ar.

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Adelphi e Gripen

Foi exatamente este o mesmo raciocínio quando da desativação do Esquadrão Adelphi, em fins de 2016. A unidade voava os caças A-1, que agora estão todos concentrados em Santa Maria (RS). A FAB deve finalizar o projeto de modernização com 14 unidades, e esses jatos deverão operar ainda na próxima década. Porém, ainda que modernizados, devem ter um papel secundário frente à frota de F-39, lembrando que não são aeronaves adequadas para missões de defesa aérea, e sim para tarefas e ataque e reconhecimento.

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A aquisição de um segundo lote de Gripen, ou mesmo de outros caças, será necessária para suprir a cada vez mais próxima aposentadoria dos F-5 e, posteriormente, dos A-1. A boa notícia é que um segundo lote de F-39 deverá ter um prazo de entrega mais curto, já que todo o processo de certificação já avançou e o Brasil conta agora com uma infraestrutura industrial pronta para iniciar a produção de mais aeronaves.

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Perda histórica

A nota negativa diz respeito ao impacto histórico do Esquadrão Pacau. Se confirmado o seu encerramento, encerra-se uma história iniciada em 1947, com a criação da unidade na Base Aérea de Fortaleza. A vocação para atuar como unidade de treinamento foi exercida desde o início, com o uso dos Republic P-47D Thunderbolt – alguns deles veteranos de guerra – para formação de líderes da aviação de caça. Nas décadas seguintes passariam por lá os F-80C, TF-33 e AT-26 Xavante. Fortaleza se tornaria conhecida como “A Sorbonne da Caça”.

No começo de 2002, o esquadrão foi transferido para Natal, onde viveu os oito últimos anos de operação dos AT-26 Xavante, inclusive depois de exercer a missão de formar novos líderes de caça. Em dezembro de 2010, finalmente, se mudou para Manaus com o objetivo de se tornar uma unidade aérea de ponta, com os caças F-5 modernizados operando a partir de Manaus.

Carcará

A Força Aérea também encerrou as atividades do Esquadrão Carcará. Era também uma unidade histórica, com origem no Recife (PE) e nos últimos cinco anos com sede em Anápolis (GO). Criado em 1957, foi empregado em missões de reconhecimento e de busca, tendo operado os B-17 e SC-130 antes de receber os R-95 Bandeirante e R-35 Learjet, estes últimos em 1987. A dificuldade de manter essas aeronaves em voo e, principalmente, o crescente uso de drones e de satélites, marca o fim do esquadrão.

Humberto Leite

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