AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA

Pilotos da USAF planejaram missão suicida para deter terroristas no 11 de setembro

A piloto de caça Heather Penney Foto: Johnathon Orrell / USAF
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Preparada para combater inimigos externos, a United States Air Force (USAF) foi pega de surpresa na fatídica manhã de 11 de setembro de 2001. De repente, a ameaça já não era mais de enormes bombardeiros ou de mísseis balísticos, e sim de aviões comerciais já em voo dentro do território norte-americano.

Foi por isso que naquela terça-feira os F-16 do 121st Fighter Squadron, esquadrão da Guarda Aérea Nacional responsável pelo Distrito de Columbia, onde está Washington, não estavam preparados para uma missão real. Mesmo assim, dois caças decolaram, ainda que sem munição para combate.

F-16 da Força Aérea dos EUA sobre Washington
Foto: USAF

O fato é que eles precisavam ser rápidos. As duas torres gêmeas já haviam sido atingidas quando a unidade recebeu luz verde para decolar. Porém, levaria uma hora para levarem até os caças os armamentos mantidos em reserva estratégica. Havia a informação de que mais um jato comercial havia sido sequestrado, e algo precisava ser feito.

O alvo era alvo era o Boeing 757 que cumpria o voo United 93. Dois caças decolaram para a missão. A bordo estavam o Tenente-Coronel Marc “Sass” Sasseville e a Tenente Heather “Lucky” Penney, à época com 24 anos e primeira oficial aviadora da história daquele esquadrão.

Sasseville, já como oficial-general
Foto: Marvin R. Preston / USAF

Não deu tempo: o 757 caiu na região de Shanksville depois de voar por 81 minutos. Todos os 44 ocupantes morreram, incluindo os quatro terroristas e os sete tripulantes. Os caças retornaram a Washington e se mantiveram em patrulha sobre a capital, incluindo a escolta do Air Force One.

Mas o que os F-16 desarmados fariam?

Dez anos depois, Heather “Lucky” Penney foi uma das poucas pessoas a conceder entrevistas sobre a missão. Filha de um veterano da guerra aérea no Vietnan, ela sabia exatamente o que precisava fazer. “Há coisas neste mundo que são mais importantes do que nós mesmos”, disse, em 2011, em entrevista ao The Washington Post.

Foto: Arquivo pessoal

A missão tinha uma ordem simples: encontrar o avião que supostamente se diriga a Washington e interromper o voo de qualquer forma. Sem armamentos, a Tenente Penney e o Tenente-Coronel Sasseville decidiram que, se necessário fosse, iriam colidir com o 757. Ele atingiria a parte frontal, ela, a traseira. Com sorte, conseguiriam ejetar em seguida.

Na rota, os F-16 passaram perto do Pentágono, que já ardia em chamas após ser atingido pelo 757 do voo American 77. “Foi uma experiência completamente surreal”, disse a militar. Porém, segundo ela, nenhum dos dois pensou muito a respeito, pois estavam muito concentrados na missão.

Nos anos seguintes, os dois foram enviados ao Iraque, ela, por duas vezes. O Tenente-Coronel Sasseville se tornaria vice-diretor de prontidão operacional do Pentágono e, posteriormente promovido a Brigadier General, esteve a frente da 113th Wing, sendo responsável pela defesa aérea da capital dos EUA.

Foto: Arquivo pessoal

Já Heather “Lucky” Penney decidiu deixar a USAF em 2007, no posto de Major. Mãe de duas crianças, ela aceitou um trabalho que a manteria em Washington: atuar no escritório da Lockheed Martin como elo entre a empresa e o Pentágono nas negociações do programa F-35 Lightning II.

Sobre o autor

Humberto Leite

Comentário

  • 11/09 foi uma vergonha, fiasco e despreparo total do sistema de defesa domestico EUA. Se preparou para uma invasão estrangeira e esquecer de ter em mente todos os cenários possíveis. Pagou se caro.

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