AVIAÇÃO MILITAR & DEFESA DOS ARQUIVOS DE ASAS

10 aviões de combate com asas de geometria variável

F-14 durante testes do sistema de modificação de geometria das asas. Esta configuração não é usada em voo, sendo a simulação de uma eventual falha

Asas enflechadas ou em formato de delta são perfeitas para aeronaves de alto desempenho: permitem voar a altas velocidades e ganhar altura rapidamente. Por outro lado, asas praticamente retas são ótimas para um controle melhor a baixa velocidade, facilitam pousos em pistas menores e diminuem o consumo de combustível em voos de cruzeiro.

Engenheiros aeronáuticos encontraram uma curiosa solução para o impasse: asas de geometria variável. Foram criados mecanismos para que as asas das aeronaves mudassem de ângulo no meio do voo. Isso permitiria, em uma mesma missão, se beneficiar em um momento das vantagens de um ângulo de asa, e em outro momento aproveitar os benefícios de outra configuração aerodinâmica.

Confira abaixo uma lista de 10 aeronaves de combate com essa característica:

Grumman F-14 Tomcat

Famoso pelo filme Top Gun, o Grumman F-14 Tomcat foi um desafio para os engenheiros da década de 60. O projeto do F-14 previa, portanto, um caça capaz de voar a altas velocidades (mais de 2 vezes a velocidade do som), a um elevado nível de voo (acima de 16 mil metros) e capaz de subir rapidamente (230 metros por segundo). Porém, ao mesmo tempo, precisava ser capaz de se aproximar a baixa velocidade para pouso em porta-aviões da US Navy, ter capacidade de manobrar a baixa velocidade para o caso de se envolver em um combate a curta distância e poder permanecer de alerta em voo em um regime de baixo consumo de combustível.

A soma desses requisitos teve uma resposta clara: asas de geometria variável. O piloto ou um computador a bordo podem fazer as asas do F-14 Tomcat variarem seu enflechamento de 20° a até 68°. Após o pouso, as asas podem ser enflechadas a até 75° e assim reduzir o espaço ocupado no hangar, algo relevante para os porta-aviões.

Como a Guerra Fria nunca “esquentou”, o F-14 acabou tendo uma ficha de combate relativamente pequena com a US Navy. Em 1981 e em 1989, abateram pares de Su-22 Fitter e MiG-23 Flogger, respectivamente, da Líbia. Na Guerra do Golfo, em 1991, teve como única vítima um helicóptero Mil Mi-8 “Hip”: um F-14 também foi abatido por fogo antiaéreo. Retirado de serviço na US Navy em 2006, acabou no fim da sua vida operacional tendo o papel de aeronave de ataque ao solo, atuando no Afeganistão. Também se destacou, a partir dos anos 80, em missões de reconhecimento aéreo.

Onde o F-14 foi muito usado em combate, e ainda voa, é no Irã. O país comprou 80 caças do tipo antes da Revolução Islâmica de 1979 e conseguiu mantê-los em serviço apesar do embargo dos Estados Unidos. As fontes mais confiáveis apontam que durante a Guerra Irã-Iraque os F-14 abateram 58 MiG-23, 23 MiG-21, nove MiG-25, 23 Su-22, 33 Mirage F-1 e um Mirage 5. Em troca, pelo menos cinco teriam sido confirmadamente abatidos por caças MiG-23 e Mirage F-1.

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Fabricado pela Grummam, o F-14 Tomcat só foi vendido para a Marinha dos EUA e para o Irã (que ainda o opera!). Mas o filme “Top Gun” o tornou uma lenda mundial da aviação de caça!

General Dynamics F-111 Aardvark

Já fora de serviço há 10 anos, o F-111 foi um jato de ataque utilizado pelas forças aéreas dos Estados Unidos e da Austrália. Tendo voado pela primeira vez em 21 de dezembro de 1964 e posto em serviço em 1967, foi a primeira aeronave com asas de geometria variável a ser produzida em série.

F-111A durante testes iniciais de modificação da geometria das asas

As asas podiam ter o enflechamento variável entre 16° e 72,5°. Nesta última configuração podia alcançar Mach 1,2 ao nível do mar. A elevado nível de voo podia passar de Mach 2. Por outro lado, o bom controle a baixa altura com as asas em enflechamento mínimo permitia penetrar em território inimigo a baixa altura levando uma carga bélica equivalente à levada por quatro caças F-4 Phantom.

O F-111 viu ação real na Guerra do Vietnan, na Guerra do Golfo e durante a operação El Dorado Canyon, na Líbia, em 1986.

F-111F é preparado para a operação El Dorado Canyon, em 1986

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Sukhoi Su-24 Fencer

Equivalente soviético ao F-111, o Sukhoi Su-24 Fencer voa longe e penetra em velocidades supersônicas a baixa velocidade em território hostil. Para pousos curtos, as asas ficam a apenas 16° de enflechamento. Para voar rápido, vão a 69°. Configurações de 35° e 45° permitem voos econômicos a diversos níveis de altura.

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Sukhoi Su-22 Fitter

Primeiro jato soviético com asas de geometria variável, o Sukhoi Su-22 Fitter foi também o único com essa tecnologia a operar na América do Sul. Por aqui, a Força Aérea do Peru recebeu 55 aeronaves de várias versões a partir de 1977.

E tiveram uma vida muito ativa! Já em 1981 realizaram missões de reconhecimento sobre forças equatorianas durante o confronto do Falso Paquisha. Em 1995, um C-130 Hércules da United States Air Force realizava uma missão clandestina de fotorreconhecimento no território peruano. Dois Su-22 foram acionados para fazer a interceptação porque o invasor não respondia aos chamados e rumava para fora do espaço aéreo peruano. O resultado foram múltiplos disparos de canhões de 30mm, com o Hércules precisando fazer um pouso forçado (e dar explicações). Um dos tripulantes do cargueiro morreu após ter sido sugado para fora da aeronave em um buraco aberto pelos tiros.

Su-22 Fitter da Força Aérea do Peru

Em 1995, no confronto do Vale do Cenepa, os equatorianos acabaram levando a melhor: aos Su-22 cabiam missões de ataque ao solo, mas dois deles foram interceptados e abatidos por caças Mirage F-1. Até hoje o Peru garante que os Su-22 foram vítimas de artilharia antiaérea.

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Apesar de já tecnologicamente superados em 1995, os Su-22 tinham capacidade de autodefesa: além do par de canhões 30mm conhecidos pelos tripulantes do C-130 da USAF, havia, em tese, a disponibilidade de mísseis ar-ar AA-2 Atoll. Criado a partir do Sukhoi Su-7 e desigado Su-20 e Su-22 para exportações, o caça pode variar o ângulo de 2/3 das suas asas, podendo atingir até 62°. Isso permite superar a velocidade do som ao nível do mar e chegar a Mach 1,7 em elevados níveis de voo.

Su-22 em uso com a força aérea da Líbia. Foto: Chris Lofting

O Peru retirou seus Su-22 de serviço em 2006. Porém, o modelo foi produzido até 1990 e permanece em voo no Iemen, Síria, Polônia e Irã.

Mikoyan-Gurevich MiG-23 Flogger

Com mais de cinco mil unidades produzidas, o MiG-23 foi a aeronave de asa de enflechamento variável mais utilizada do mundo. As necessidades de ter alto desempenho para o combate além do alcance visual (BVR) e ao mesmo tempo poder operar de pistas curtas resultou em um desenho com uma asa que podia ser configurada em 16°, 45° e 72°. Isso permita tanto ter um bom desempenho a baixas velocidades, ser manobrável suficiente para dogfights e ter um desempenho de um caça com asa em delta quando necessário, podendo superar Mach 2.3. Os múltiplos operadores garantiram ao MiG-23 a participação em vários conflitos entre 1970 e o fim do século XX. Uma versão de ataque ao solo profundamente modificada acabou batizada de MiG-27.

MiG-23 com asas a 16°

Panavia Tornado

Desenvolvido na década de 70 por Alemanha, Reino Unido e Itália, o Tornado teve três versões principais: o Tornado ADV (air defence variante), Tornado IDS (Interdictor/Strike) e o Tornado ECR (electronic combat/reconnaissance). As asas de podiam ser flexionadas entre 25° e 67°. Além dos três países parceiros, a Arábia Sauditas também encomendou o jato, hoje aposentado apenas no Reino Unido.

Em 2019 a Alemanha completou 40 anos de operações com o Tornado. Um total de 247 foram recebidos, tendo atuando na Bósnia, Kosovo e Afeganistão

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Tupolev Tu-22M Backfire

Desenvolvido nos anos 60, o Tu-22M Backfire está em serviço até hoje na Rússia por conta da sua eficácia. Supersônico, pode atingir 2.300 km/h, ao mesmo tempo em que tem um alcance superior a 6.000 km. A carga bélica é de 24 toneladas, tornando o jato uma verdadeira ameaça ao ser capaz de se aproximar rapidamente com mísseis como o Kh-32 e o Kh-47 Kinzhal. Não por acaso, é o Tupolev Tu-22M que aparece na obra de Tom Clancy em um mortal ataque contra um porta-aviões dos Estados Unidos (está no livro “Tempestade Vermelha” e no filme “A Soma de Todos os Medos). Boa parte do desempenho se deve à solução das asas de enflechamento variável: elas podem ir de 20° a até 65°.

Tupolev Tu-160 Blackjack

Maior avião militar a atingir Mach 2 produzido em série, o Tupolev Tu-160 Blackjack é um projeto mais moderno: voou pela primeira vez no fim de 1981, e entrou em serviço só em 1987. As asas com enflechamento que podem ir de 20° a 65° permitem perfis de voos que variam da penetração supersônica e voo a baixíssima altura até o longo cruzeiro com economia de combustível.

Messerschmitt P.1101

Não passou de um protótipo. E nunca voou. Mas o Messerschmitt P.1101 é uma das provas da genialidade dos cientistas alemães lamentavelmente cooptados elo regime nazista. Armado com dois ou até quatro canhões, o avião poderia superar os 900 km/h com o uso do turbojato Heikel HeS 011. O peso máximo de decolagem seria em torno de 4.500 kg. Só esses números já transformariam o P.1101 em um caça único para aquele momento, superando os concorrentes dos aliados, como o P-51 Mustang. Porém, quando o protótipo foi encontrado por tropas dos Estados Unidos, em 29 de abril de 1945, descobriu-se uma novidade: a asa era planejada para mudar seu enflechamento, com opções de 35°, 40° e 45°. A única limitação, quando comparado com modelos que seriam projetados mais de 20 anos depois, é que a mudança da asa só podia ocorrer em solo. O protótipo foi levado para os Estados Unidos e, em 20 de junho de 1951, voava o Bell X-5, um avião experimental que comprovou as vantagens da asa de geometria variável.

O inovador protótipo não voou, mas acabou virando atração entre as forças aliadas de ocupação

Rockwell B-1 Lancer

O destaque do B-1 é o quanto suas asas podem mudar: a configuração pode ir de um ângulo de 15° a até 67,5°. Isso permite ao bombardeiro ao mesmo temp operar em pistas de dimensões pequenas (quando comparado a antigos bombardeiros), ter autonomia superior a 5.500 km, pode voar a até 18 km de altura e também atingir velocidades supersônicas a grande altitude, porém sendo possível voar a baixa altura a Mach 0,96. O B-1B entrou em serviço já no fim da Guerra Fria, em outubro de 1986, sendo oficialmente um aeronave que faz parte da estratégica de ataques nucleares dos Estados Unidos. Porém, com armamentos convencionais os Lancers já mostraram seu poder no Afeganistão, Balcãs e no Iraque. Atualmente há cerca de 60 aeronaves em uso, que devem ser substituídas na próxima década pelos B-21 Raider.

Foto: Jerret Harris – USAF

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